Evento debate desafios e perspectivas para o comércio exterior na Região Metropolitana de Campinas

February 15, 2025

Nesta quinta-feira (13/02), cerca de 100 participantes reuniram-se no auditório do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) regional Campinas para discutir os desafios e as projeções do comércio exterior na Região Metropolitana de Campinas (RMC). O encontro, promovido pelo IBEF Campinas Interior Paulista em parceria com a Câmara de Comércio Exterior de Campinas e Região (CCCER), destacou a importância estratégica da região para o setor e contou com a presença de especialistas renomados.


O debate contou com a participação de nomes como Carlos Moura, CEO da Athena Trading Internacional; Davi Caixe, Managing Director do Banco Itaú BBA; e Milton Gato, Head of Global Trade da Finocchio & Ustra Sociedade de Advogados, sob a moderação de Claudio Barbosa, diretor da CCCER. Cada um dos palestrantes trouxe à tona aspectos fundamentais para o desenvolvimento e a consolidação do comércio exterior, desde a capacitação profissional até os instrumentos financeiros que viabilizam as operações internacionais.


Milton Gato enfatizou a necessidade de qualificação dos profissionais que atuam na área. “Fazer comércio exterior não é simplesmente vender, colocar a mercadoria no avião e exportar ou comprar determinado produto do exterior e trazê-lo para o Brasil. Qualquer operação depende de uma série de normas, leis e decretos. O grande desafio é a qualificação do profissional que atua nesse segmento”, afirmou, ressaltando que a complexidade do setor exige estudo, análise e interpretação constantes das medidas administrativas, fiscais e cambiais.


Davi Caixe, por sua vez, detalhou as modalidades de crédito voltadas para o comércio exterior, dividindo os financiamentos em dois grandes grupos: os de curto prazo, como os financiamentos à importação e o adiantamento de crédito de exportação (ACC), e os de prazo mais longo, destinados a investimentos de capital e à antecipação de recursos para futuras exportações. “Todos esses produtos gozam de vantagens tributárias, como a ausência do IOF de crédito, o que torna as operações internacionais mais competitivas, principalmente quando se compara o custo da dívida em dólar com as taxas praticadas no Brasil”, explicou.


Já Carlos Moura destacou as soluções para pequenas e médias empresas que desejam ingressar no comércio internacional. “Na Athena Trading, desenvolvemos um método que passa pela sensibilização e treinamento das equipes, avaliação da capacidade exportadora e adequações necessárias para a participação em feiras e rodadas de negócios internacionais. É um processo passo a passo que qualquer empresa pode seguir, desde que haja decisão e comprometimento”, pontuou o CEO.


O evento também marcou um momento histórico com a assinatura de um protocolo de intenções entre o IBEF Campinas Interior Paulista e a CCCER. Representados por seus respectivos presidentes, Valdir Augusto de Assunção e Márcio Barbado, o acordo visa à promoção de ações conjuntas e ao fortalecimento da cooperação entre as entidades, contribuindo para o desenvolvimento do comércio exterior na região. Valdir Augusto de Assunção ressaltou a complementaridade entre as atividades das instituições, destacando a expertise financeira do IBEF e a experiência prática da CCCER. Já Márcio Barbado destacou a maturidade do relacionamento e a confiança que embasa essa parceria técnica.


Claudio Barbosa, que conduziu o debate, destacou a importância da multidisciplinaridade presente no evento. “Foi muito interessante reunir visões que abrangeram o aspecto cambial, aduaneiro e o de trader, possibilitando à platéia insights valiosos para aplicação no dia a dia das operações de comércio exterior”, afirmou.


O encontro, que combinou debates técnicos, estratégias de mercado e a formalização de uma parceria histórica, evidenciou o potencial da Região Metropolitana de Campinas como pólo estratégico para o comércio internacional e reforçou a necessidade de investimentos em capacitação e soluções financeiras inovadoras para o setor.



Milton Paes


Foto: Divulgação


Por André Interação 27 de março de 2026
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Por André Interação 9 de março de 2026
Durante muitos anos, governança corporativa foi tratada no Brasil como um tema quase exclusivo das grandes companhias abertas. Conselhos de administração estruturados, políticas formais de gestão de riscos, mecanismos de prestação de contas e práticas de transparência eram vistos como instrumentos sofisticados, normalmente associados às exigências do mercado de capitais. Para a maioria das pequenas e médias empresas, a governança parecia algo distante da realidade do dia a dia empresarial. Esse cenário, no entanto, vem mudando de forma consistente nos últimos anos. A crescente complexidade do ambiente econômico, o aumento das exigências regulatórias, a necessidade de profissionalização da gestão e a pressão por maior transparência nas relações empresariais estão levando empresas de todos os portes a reconhecer que governança corporativa não é apenas um conjunto de boas práticas institucionais. Trata-se de um fator cada vez mais determinante para a sustentabilidade e para o crescimento dos negócios. O que antes era percebido como uma tendência começa a se consolidar como uma realidade concreta no cotidiano das pequenas e médias empresas brasileiras. O avanço da governança nas pequenas e médias empresas Um dos movimentos mais relevantes do ambiente empresarial atual é a crescente adoção de práticas de governança por empresas familiares e organizações de médio porte. Durante décadas, muitas dessas empresas cresceram com base em estruturas decisórias altamente centralizadas, normalmente concentradas na figura do fundador ou de um pequeno grupo de sócios. Esse modelo, embora tenha sido responsável por inúmeras histórias de sucesso empresarial, também revelou limitações importantes à medida que os negócios se tornaram mais complexos. Decisões estratégicas tomadas de forma isolada, ausência de processos formais de prestação de contas e dificuldades para separar interesses familiares das necessidades do negócio frequentemente criam tensões internas e reduzem a capacidade de planejamento de longo prazo. Nesse contexto, a governança corporativa surge como um instrumento capaz de organizar a tomada de decisões, estabelecer responsabilidades claras e criar um ambiente mais estruturado para o desenvolvimento da empresa. Cada vez mais empresários percebem que governança não representa perda de controle, mas sim ganho de qualidade nas decisões. Conselhos consultivos como “porta de entrada” para a governança Um fenômeno particularmente interessante nesse processo é a expansão dos conselhos consultivos nas pequenas e médias empresas. Para muitas organizações, especialmente familiares, o conselho consultivo se tornou a “porta de entrada” para a adoção de práticas mais estruturadas de governança corporativa. Esse modelo permite que os empresários mantenham sua autonomia na gestão, ao mesmo tempo em que passam a contar com a contribuição de profissionais experientes que agregam visão estratégica, conhecimento de mercado e capacidade analítica às decisões da empresa. Quando bem estruturados, os conselhos consultivos ajudam a qualificar o processo decisório, introduzem maior disciplina na definição de estratégias e contribuem para reduzir riscos decorrentes de decisões tomadas de forma excessivamente intuitiva. Mais do que um espaço de aconselhamento, o conselho consultivo deve ser encarado como um fórum estruturado de reflexão estratégica sobre a condução e o futuro da empresa. Profissionalização da gestão como consequência natural Outro movimento que acompanha o avanço da governança é a crescente profissionalização da gestão nas empresas familiares e de médio porte. À medida que práticas de governança começam a ser implementadas, muitas organizações percebem a necessidade de revisar suas estruturas internas. Funções passam a ser mais claramente definidas, indicadores de desempenho tornam-se parte do cotidiano da gestão e processos decisórios passam a seguir critérios mais objetivos. Essa transformação não significa afastar os fundadores ou membros da família empresária da condução do negócio. Ao contrário, a governança permite que esses líderes concentrem sua atuação em temas mais estratégicos, enquanto a gestão operacional passa a contar cada vez mais com executivos especializados. Esse processo tende a tornar as empresas mais resilientes, mais organizadas e mais preparadas para enfrentar ciclos econômicos desafiadores. A gestão de riscos ganha protagonismo Outro aspecto que vem assumindo papel central na evolução da governança nas pequenas e médias empresas é a gestão estruturada de riscos. O ambiente empresarial brasileiro tornou-se significativamente mais complexo nos últimos anos. Mudanças regulatórias relevantes, novas exigências trabalhistas, transformações tecnológicas e o aumento da exposição reputacional passaram a exigir das empresas uma postura muito mais estratégica na identificação e na gestão de riscos. Um exemplo claro desse cenário é a implementação da reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional, que promoverá uma profunda reconfiguração do sistema de tributação sobre o consumo no país. A transição para o novo modelo exigirá das empresas revisões importantes em suas estruturas de precificação, planejamento fiscal, contratos e sistemas de gestão, além de um debate amplo com a sua cadeia de valor. Outro fator que merece atenção é a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, a NR-1, que reforça a responsabilidade das empresas na gestão de riscos ocupacionais e na implementação de sistemas estruturados de gerenciamento de segurança e saúde no trabalho. O descumprimento dessas exigências pode gerar passivos trabalhistas, multas regulatórias e danos reputacionais relevantes. Além disso, os riscos reputacionais passaram a assumir dimensão inédita na era digital. A velocidade com que informações circulam nas redes sociais amplia significativamente o impacto de crises corporativas, exigindo das empresas estruturas mais maduras de gestão de comunicação e prevenção de crises. Somam-se a esse cenário outros fatores de risco relevantes, como instabilidade regulatória em diversos setores, crescente judicialização das relações empresariais, pressões por práticas ESG e mudanças rápidas no comportamento dos consumidores. Nesse ambiente mais complexo, decisões baseadas apenas na experiência ou na intuição dos gestores tornam-se cada vez mais insuficientes. A governança moderna exige que as organizações desenvolvam mecanismos estruturados para identificar, avaliar e monitorar riscos estratégicos, operacionais, regulatórios e reputacionais. Transparência e accountability deixam de ser opcionais Outro vetor importante dessa transformação é a crescente valorização da transparência e da accountability nas relações empresariais. Instituições financeiras, investidores, parceiros comerciais e até grandes clientes corporativos passaram a valorizar empresas que demonstram clareza na condução de seus negócios e consistência em seus processos decisórios. Empresas que adotam práticas mais robustas de governança tendem a apresentar maior credibilidade institucional, o que facilita o acesso a crédito, a atração de investidores e o estabelecimento de parcerias estratégicas. Nesse sentido, a governança corporativa deixa de ser apenas um conjunto de boas práticas internas e passa a funcionar, também, como um importante ativo reputacional. Uma transformação que já começou O avanço da governança corporativa nas pequenas e médias empresas brasileiras já não pode mais ser visto como uma tendência distante. Trata-se de uma transformação que está acontecendo agora. Cada vez mais empresários percebem que estruturar conselhos, definir regras claras de tomada de decisão, implementar mecanismos de controle e desenvolver uma cultura de accountability não são iniciativas burocráticas. São decisões estratégicas. Empresas que adotam práticas sólidas de governança tendem a tomar decisões melhores, gerenciar riscos com mais eficiência e construir organizações mais preparadas para crescer de forma sustentável. Nesse novo cenário empresarial, a governança deixou de ser apenas uma tendência. Ela se tornou parte da realidade das pequenas e médias empresas que querem construir um futuro mais sólido e duradouro. Maurício de Souza Conselheiro Consultivo e de Administração | Expert em Governança Corporativa e Gestão de Riscos | Mentor de Conselheiros e Executivos 
Por André Interação 4 de março de 2026
Governança Corporativa para Empresas do Comércio Exterior - Evento CCCER https://www.youtube.com/watch?v=fTifiVBW5tA&feature=youtu.be